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segunda-feira, 26 de dezembro de 2011

Resolução para o ano que vem e os seguintes: Slow Fashion


O Slow Fashion é um movimento que veio em resposta ao irresponsável fast fashion, na onda de outros fenômenos, como o slow food, que vêm ocorrendo de modo a reagir contra o mundo cada vez mais corrido e atribulado em que vivemos.

Em vez de incentivar modinhas e que você use uma peça meia-boca umas duas vezes e a jogue fora, o Slow Fashion valoriza a produção de peças artesanais, feitas à mão com técnicas antigas, com a devida valorização do trabalho humano, tal qual a Chanel faz com o Métiers d'Art, na promoção de seus ateliês.

A ideia é a de adquirir poucas e boas peças, atemporais e de excelente qualidade, que vão durar por muitos anos. Toyotismo em detrimento do Fordismo. Também é incentivada a sustentabilidade no quesito ecológico, com maior cuidado no manejo dos recursos naturais. Ou seja, é a busca de uma moda mais ética, em todos os sentidos.

Naturalmente que as roupas sairão mais caras. Afinal, o artesão/costureiro será bem remunerado, serão cumpridas normas ambientais que exigem certo investimento nas fábricas dos tecidos, serão utilizados materiais mais nobres. Mas slow fashion não é só Chanel ou Hermés.

Acredito que a profissão do alfaiate voltará com tudo. Eu peno para achar blazers e camisas sociais que caiam bem em mim. Assim como eu, devem existir várias pessoas com o mesmo problema. Diante disso, sempre quis em fazer um terno em Savile Row com Edward Sexton, o alfaiate que ensinou o ofício a Stella McCartney e foi o primeiro a fazer peças em alfaiataria sob medida para mulheres. Ele também é o alfaiate dos roqueiros, desde os tempos do mod ;).

Você também pode procurar por referências e bancar a estilista mandando fazer roupas na costureira. Ter uma costureira é um luxo! Eu consegui arranjar duas: uma para roupas mais finas, de festa, e outra especializada em malharia, que prometeu me ensinar a costurar ano que vem (!). Na primeira mandei fazer um vestido longo belíssimo em chanel de seda pura, com renda francesa Chantilly toda bordada com pedrarias e paetês, que usei num casamento em que fui madrinha. Ela me cobrou R$ 400,00 pela mão-de-obra. Achei muito justo o preço e o vestido foi feito sob medida! A experiência é ótima, super recomendo! Na segunda mandei fazer uma blusinha com gola Peter Pan, que acho linda, bem retrô, que não tinha visto para vender por essas bandas.

Se você preferir o prêt-à-porter, a Maria Bonita lançou uma nova linha chamada MB Infinito, com a proposta do slow fashion. Preço médio: R$ 460,00 para camisas, R$ 352,00 para blusas, R$ 507,00 para calças e R$ 420,00 para vestidos. O Philip Lim também faz um trabalho semelhante.

Há ainda a possibilidade de DIY! Aprenda a costurar, tricotar, etc. Você pode fazê-lo quando está no metrô, na fila do banco ou durante o pedicure. Não é coisa de vó! A meu ver, peças únicas e personalizadas são luxo. Além disso, tal atitude certamente impede as compras impulsivas. Como você vai ter trabalho, vai pensar duas vezes se realmente quer aquela peça e vai dar muito mais valor a ela quando estiver pronta.

A apresentadora Chiara Gadaleta é a única da área fashion que vejo promover o tema. Ela tem um site bem interessante sobre moda sustentável. Para mais informações, leia esse artigo do The Guardian e o site Slow Fashioned.

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