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quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012

Batons com chumbo

 
O FDA publicou uma lista de 400 batons que contém chumbo. Não é lenda urbana. Veja se os seus estão aqui.

sábado, 28 de janeiro de 2012

Formadores de opinião é o novo "artistas e intelectuais"



Quando a Renata escreveu a respeito do fim das bases, decretado pelos mais prestigiados maquiadores, me animei para terminar de escrever este post, que havia começado quando li este artigo no Estadão sobre algumas blogueiras como sendo as "novas formadoras de opinião".

Há algum tempo tenho visto esse termo, "formadores de opinião", ser largamente utilizado em jornais e revistas. Em jornais, principalmente. Acredito que seja o novo "artistas e intelectuais", chavão há muito querido por jornalistas. Na realidade, ambos são reles argumentos de autoridade falaciosos. Funciona assim: para te convencer de algo, o autor do texto afirma que determinada coisa é must have por ser utilizada por formadores de opinião, ou que determinado bar é hype por frequentado por artistas e intelectuais.

A fórmula é a seguinte: "X disse que P; logo, P", sendo X uma pessoa ou grupo de pessoas tidos como autoridade e P uma afirmação qualquer. O argumento para te convencer é simplesmente a opinião ou pretensa opinião de alguém que teria alguma credibilidade.

O autor foge do assunto, já que não são apresentados argumentos lógicos de convencimento, mas simplesmente o pretenso prestígio de determinada pessoa, o que não quer dizer absolutamente nada. Por isso é uma falácia, já que as razões apresentadas não sustentam o que se afirma, em virtude de inexistência de lógica entre a premissa e a conclusão.

Na prática:

“Não é uma tendência, é um statement”, acredita Fabiana Gomes, maquiadora sênior da MAC, a respeito do fim da base.

A Vogue utilizou o argumento de uma autoridade para te convencer que a base acabou. Quem é a autoridade? A maquiadora sênior da MAC. Por que ela seria uma autoridade? Porque ela representa uma grande marca de maquiagem. Ora, mas a MAC produz uma série de bases, porque sua representante iria contra os interesses de quem paga seu salário? Pronto, verifica-se o despautério da proposição. Por trás disso o que dá para entender? A maquiadora pretendia promover o BB Cream da MAC, então determinou que não se usa mais base para que todas comprassem o novo produto. Parte iria gostar, outra parte não iria ficar satisfeita e voltaria para as bases. Com o tempo ninguém iria lembrar mais da asneira dita e tudo voltaria a ser como antes, mas com o BB Cream devidamente inserido no mercado.

Este foi um exemplo simplório para demonstrar a impropriedade na larga utilização de argumentos de autoridade como "formadores de opinião" e "artistas e intelectuais" pela mídia. Eu sempre desconfio de textos que começam a falar de algo puxando o bordão dos artistas e intelectuais. Jornalistas adoram o termo e às vezes ele é usado como marketing de produtos. Exemplo: a Moleskine se gaba de seus caderninhos terem sido usados por gente como Henry Matisse, Vincent Van Gogh, Pablo Picasso e Ernest Hemingway, dentre outros. Antes de analisar a falácia, lembro do que havia dito aqui, que o Moleskine não possui relação direta com o caderninho original, usado pelos artistas mencionados. Na verdade, esses caderninhos já eram fabricados à mão por pequenos artesãos franceses desde o século XIX. Não havia propriamente uma marca. Em 1997, uma empresa italiana resolveu registrar o nome Moleskine e produzir em massa os bloquinhos de notas, ou seja, muito tempo depois da morte dos renomados artistas.

Agora a falácia: Hemingway usava Moleskine, logo, Moleskine é bom. Bom para quê? Para escrever? Você acha que vai escrever tão bem e ter ideias tão geniais quanto Hemingway só porque usa o tipo de caderno que ele usava? Você acha que suas ideias são tão dignas de nota quanto as de Hemingway? A Moleskine te faz crer nisso, ela infere que quem usa seus cadernos é tão bom quanto Hemingway. A pretensão é tão grande que chega a ser piada.

Digamos que o formato de caderno tenha mérito a respeito de anotar brilhantes ideias para um texto. Por que tem que ser da Moleskine, não pode ser de outra marca concorrente que tenha o mesmo tipo de produto. Ah, porque Hemingway usava "Moleskine". Bom, mentira, mas entendem?

E os formadores de opinião? Formador de opinião seria uma pessoa com capacidade de influenciar e modificar a opinião de outras pessoas nos mais diversos campos, como moda, política, música, filosofia. Por isso os autores andam fascinados com essa expressão, já que ela é muito mais abrangente que "artistas e intelectuais". Em relação a objetos de consumo, especialmente na área da moda, o Estadão decretou que certas blogueiras são as novas formadoras de opinião.

Não há dúvidas que elas influenciam muitas meninas. O perigo está em acreditar que elas são autoridades com credibilidade naquilo que dizem. Ah, a fulana diz que é bom, então vou comprar. Ela ganha dinheiro para dizer isso e muitas não percebem. Ainda que a fulana entenda mesmo daquilo que esteja falando, não acredite de cara, questione, veja se é o adequado para você. Com o bombardeio de informações através de diversas mídias, há muita coisa errada e equivocada sendo dita, de modo que se torna ainda mais importante filtrar aquilo que tenha alguma serventia. Não se deixe influenciar assim tão facilmente. Quem tem que ser formador de opinião é você.

Foto: Worldstart

quarta-feira, 18 de janeiro de 2012

Palha de Viena



A famosa trama de palhinha, conforme mostrada na foto, foi popularizada a partir da criação na Áustria, em 1859, da cadeira 214 pelo carpinteiro Michel Thonet, que a utilizava como assento. Desde então ficou conhecida como palha de Viena.

Atualmente, a trama é vista não só em cadeiras, mas em diversos móveis, como cabeceiras de cama, pufes, mesinhas, além de ter sido adotada pela indústria da moda. Ela faz parte da decoração das lojas da Farm, foi utilizada em um desfile do Reinaldo Lourenço e vez ou outra é técnica aplicada em bolsas e sapatos.



A Imporium levou para suas lojas, recentemente, algumas peças com a trama, como as sapatilhas aí de cima. O couro foi cortado com laser, de modo que o calçado não foi feito propriamente com trama, mas o design é o mesmo. Achei linda! No meu pé não ficou muito boa, mas comprei a rasteirinha com o mesmo couro. A City Shoes também lançou uma bolsa tipo maleta de médico com a palha. Achei cara, esperei que baixassem o preço, mas não rolou, acabou rapidinho e fiquei sem. Acontece, :P.

Também tenho visto a estética em joias e bijuterias. A joalheira Ana Nordeste possui uma coleção inteira de palhinha. Achei lindo o bracelete.


Sou uma grande entusiasta da palha de Viena, pois é uma palha elegante, pode ser amplamente utilizada sem dar cara de praia. E é muito charmosa. Para mim é um clássico, espero que não seja apenas modinha e que vejamos sempre nas lojas.

terça-feira, 10 de janeiro de 2012

Porque a Estée Lauder e a Avon voltaram a testar em animais



Mandei um e-mail para a Peta perguntando porque a Avon e Estée Lauder passaram para a lista das empresas que testam em animais, já que elas já não o faziam há mais de 20 anos. A Peta me informou que a China está exigindo o teste em animais para que os produtos sejam comercializados naquele país. Sendo assim, algumas empresas desistiram de vender lá e outras se adequaram. Isso é péssimo, a China é um mercado emergente, raras empresas vão querer perder esse filão. A Peta pediu que mandássemos e-mails informando à Avon e à Estée Lauder nosso descontentamento para com essa atitude.

Parece que a Avon e a Estée Lauder estão pagando para que terceiros realizem os testes lá na China mesmo. China, sempre ela... Quanto às demais marcas da Estée Lauder (MAC, Bobbi Brown, Clinique, etc), a Peta ainda está verificando a situação. Rezemos para que pelo menos a MAC fique de fora dessa. :(

sábado, 12 de novembro de 2011

Notinhas informativas


Li no O Globo de hoje:

  • Uma propaganda de página inteira do Pão de Açúcar anunciando que já está vendendo os produtos da Tresemmé. O preço de 15 reais e pouco é do 750ml! Agora sim está razoável!

    Shampoo 400 ml - R$ 9,78
    Shampoo 750 ml - R$ 15,58
    Condicionador 400 ml - R$ 9,98
    Condicionador 750 ml - R$ 17,78
    Creme para pentear 300 ml - R$ 9,90
    Creme de tratamento 1kg - R$ 15,90

  • Sexta e sábado que vem tem bazar na Isabela Capeto com preços de R$ 80 a R$ 400. Rua Dias Ferreira, 217, Leblon, a partir de 10h.

  • A Pronovias vem pro Rio! Mês que vem a loja espanhola que vende vestidos de noiva lindos, sendo que alguns são assinados por Elie Saab (meu preferido!) abre na Rua Assunção, 275, em Botafogo no fim deste mês. Eu já conhecia a multimarcas e indiquei seu site para uma amiga que se casou ano passado, para que se inspirasse nos modelos. Ela adorou!

quinta-feira, 10 de novembro de 2011

A inflação inescusável dos produtos da Eyeko



Muitas de vocês já devem estar sabendo do imbróglio envolvendo a Eyeko. Vários blogs já se pronunciaram a respeito. Li vários posts e comentários sobre o tema e, como o rímel da marca é meu preferido, fiquei com vontade de tecer algumas considerações sobre a questão também.

Eu comprei o rimel Big Eyes da Eyeko em fevereiro de 2010 por US$ 8. Adorei a embalagem de bisnaguinha, o efeito, não ser testado em animais, e, especialmente, o custo-benefício. Em razão da divulgação da marca em blogs, a Eyeko se popularizou, de modo que os produtos aumentaram sensivelmente de preço e o rímel passou para US$ 14. Até aí normal, lei da oferta e da procura, o preço, ainda que quase dobrado, continuava justo em comparação à concorrência.

Mais recentemente, a Eyeko resolveu fazer um "reposicionamento da marca", a.k.a. estratégia de marketeiro para enganar consumidor otário. Não mudaram quase nada na fórmula dos produtos, pelo menos nada de relevante e trocaram os desenhos da embalagem. Simples assim. O rímel agora custa US$ 19. Menos para o Brasil, para cá custa US$ 45 (chequei agora e mudaram para US$ 38).

A desculpa da Eyeko para o tratamento anti-isonômico é a de que estariam incluídos os tributos brasileiros. Fucei o site, mas não há nenhuma informação a respeito disso. De fato, existem empresas que já recolhem o imposto para você, através de courier (ex.:  Fedex). Ao simular uma compra, vi que eles se utilizam dos serviços da TNT, que realiza essas entregas expressas e faz o desembaraço aduaneiro. Como não há muita transparência por parte da Eyeko, resolvi calcular os tributos para ver se o preço batia. Eu não me incomodei muito com o aumento em razão de eventuais impostos embutidos, porque, embora ninguém goste de pagar imposto, eles são devidos, não dá para se escusar simplesmente. O que eu, de fato, não gostei, foi o reposicionamento da marca e do aumento de 8 para 19 dólares. Mas como eu vi que a maioria das pessoas impugnou especialmente a questão do preço diferenciado, preferi investigar.

Fiz uma consulta no site da Receita Federal para saber a carga tributária embutida num rímel. Não inclui o ICMS, imposto estadual, só os tributos federais. Para quem tem curiosidade, aqui no Rio a alíquota é de 26% para perfumes e cosméticos, a mesma de cigarros e armas, pasme.


Simulação do Tratamento Tributário e Administrativo das Importações
Código NCM 3304.20.10
Descrição NCM SOMBRA,DELINEADOR,LÁPIS P/ SOBRANC.,E RÍMEL
Taxa de Câmbio do Dia 10/11/2011 R$ 1,7453
Valor Aduaneiro Convertido R$46,25
Alíquota II (%) Tributo II R$ 8,33
Alíquota IPI (%) Tributo IPI R$ 12,01
Alíquota PIS (%) Tributo PIS R$ 1,75
Alíquota COFINS (%) Tributo COFINS R$ 8,20

Base de cálculo = US$ 19 + US$ 7,50 (frete) = US$ 26,50
Base de cálculo em reais, com câmbio de R$ 1,7453, de acordo com a Fazenda = R$46,25

Base de cálculo + tributos = R$ 76,54

Se em vez desse simulador você preferir o regime simplificado do Fisco, é só utilizar a alíquota de 60% - R$ 46,25 x 60% = R$ 74,00


Preço cobrado pela Eyeko, convertido com o câmbio da Fazenda (você não vai pagar com esse, mas com o usado pelo cartão de crédito) = R$ 79,41


Não bateu, apesar de os valores não se alterarem tanto assim. Mas não tem como bater, pois a base de cálculo dos tributos inclui o frete e a Eyeko já pré-fixa o valor dos produtos, independentemente do frete ser grátis ou não. Simulei a compra de 2 rímeis. O frete saiu grátis, mas o valor do rímel não diminuiu, o que teria que acontecer, já que o frete, necessariamente, está incluído na base de cálculo dos tributos. Fora que a base de cálculo tem que ser em real e o valor altera sempre, em virtude do câmbio. Os preços dos produtos da Eyeko são sempre fixos.

Eu não sei como ocorre o recolhimento dos tributos por parte das empresas de courier. Não há a menor transparência quanto a isso. Posso estar sendo injusta, mas não é estranho? Se alguém souber como funciona esse esquema, esclareça-me, por favor. Quem tem que explicar aos consumidores é a Eyeko e a empresa de courier, mas não achei nenhuma informação a respeito...

Além da falta de transparência quanto a questão do recolhimento dos tributos, a balela de reposicionamento da marca não me convence. O aumento de preços envolve uma questão meramente objetiva. Até bem pouco tempo atrás o rímel custava 8 dólares. Se não houve alteração substancial na fórmula do produto nem na embalagem, que continua sendo a mesma, só mudou o desenho impresso, não se agregou valor ao produto. Sendo assim, nada justifica o superfaturamento em mais de 100%, de 8 para 19 dólares.


A Eyeko, acredito eu, está ignorando suas atuais consumidoras para abarcar quem teoricamente tem maior poder aquisitivo, ou seja, mulheres mais velhas, que não gostam de mangá. Se você não liga pra isso e é consumidora fiel só porque os produtos são bons, azar o seu, vai pagar mais caro porque a Eyeko achou melhor.

O Big Eyes é meu rímel preferido, mas nenhum cosmético é insubstituível, por mais que o marketing das empresas tentem te convencer do contrário. A atitude da Eyeko é de falta de respeito para com as consumidoras, então não compro mais, não sou trouxa.

Se a marca quer mudar de público e em razão disso alterou o design para realizar o tal reposicionamento, acho que se equivocou, porque essa mudança de design, como já afirmei, não agregou valor aos produtos. Se a embalagens passasem a ser de metal, luxuosas, com papel reciclado ou de plástico biodegradável feito de milho e as fórmulas virassem hipoalergênicas, sem componentes sintéticos, parabenos, propilenoglicol etc, com altas pesquisas tecnológicas, se tudo fosse fabricado na Inglaterra em detrimento de Taiwan, onde não se sabe se há leis trabalhistas e ambientais, daria pra entender. E a origem das substâncias químicas que entram na composição do produto? São devidamente refinadas, puras, sem a contaminação de metais pesados e outros tóxicos? Não sei se em Taiwan existe algum órgão que regulamente a segurança dos cosméticos, como uma Anvisa, (que já não é lá essas coisas) duvido muito.

A meu ver foi feita apenas uma “maquiagem” nas embalagens pra justificar a vontade de lucrar em excesso. Malandragem que me fez tomar antipatia pela Eyeko. Big Eyes para mim, agora, só os de consumidora consciente.

P.S.: sobre preços de cosméticos recomendo os posts do Makeupalooza e Amorices.

P.S.2: vi no blog da Marcela que quando a mercadoria chega ao Brasil e é taxada, a empresa de courier entra em contato, diz o valor dos tributos e eles são pagos mediante apresentação da documentação da Receita Federal no momento da entrega do pacote. Ou seja, essa questão da Eyeko tá ainda mais estranha :/

P.S.3: a Instrução Normativa SRF nº 57/96, que trata do despacho aduaneiro por empresas de courier também não esclarece muita coisa, só que o transportador deve te dar um documento esclarecendo e comprovando os tributos recolhidos e que é utilizado o regime de tributação simplificada, ou seja, é aquele esquema de 60%, então o rímel da Eyeko teria que sair por R$ 74,00. Foi o que consegui pesquisar :(

Foto: Worldstart

segunda-feira, 7 de novembro de 2011

Galeria Ouro Fino


Sempre quando leio revistas nacionais e vejo alguma coisa interessante, procuro ver de onde é. Em boa parte das vezes o produto é de alguma loja de São Paulo :(. Sendo assim, gravo o nome da loja para quando for viajar. Como estive recentemente em SP, fui caçar as tais lojinhas. Para minha surpresa, quase todas ficam na Galeria Ouro Fino.

Eu já tinha ouvido falar muito nessa galeria, mas nunca fui, com medo de achar fãs do Restart por lá, porque sempre me pareceu ser point de hipsters e emos :P. Ainda bem que fui, pois lá se encontra várias lojinhas sobre rock (não, Restart não é rock :P) e produtinhos com inspiração retrô em geral, especialmente dos anos 40 e 50.



Uma delas eu não tinha visto em revista, mas é uma das minhas preferidas. Trata-se da Fock, que vende especialmente camisetas de rock. A malha é de excelente qualidade. Comprei uma dos Ramones naquela estampa clássica, só que estonada e com manguinha princesa, para dar uma quebrada no look punk. O site está em construção, mas dá para ver alguns modelos aqui. Cada uma custa cerca de R$ 79. As masculinas estavam em promoção pela metade do preço. Sim, há femininhas justinhas, baby look.



A mais conhecida deve ser a Virgin Again, que vende bijuterias e algumas roupas e acessórios. Eu queria um pingente de coelhinho, não tinha, mas comprei um anel que tem um pingente dependurado. Muito fofo! Já li por aí que dá para encontrar várias das bijuterias com preço bem melhor na 25 de março, mas não tive tempo de fuçar. Tinha muita coisa de caveira, não sou muito chegada, mas sei que tem muita gente que gosta. Eu gostei bastante da loja, fui muito bem atendida. Aliás, também fui muito bem tratada na Fock.



Já que falei em coelhinho, não poderia deixar de ir numa loja com nome de Coelhoshow. Aqui o foco é em vestidinhos retrô. Comprei uma capinha de chave em formato de coelhinho linda! R$ 5,00.



Ainda na temática retrô, tem a Cherry Pie.

Outro destaque é certamente a Rocambole, lojinha com artigos de decoração. A Marcela falou dela e colocou várias fotos aqui.

Voltarei na Ouro Fino sempre agora!

Galeria Ouro Fino
Rua: Augusta, 2690
Jardins
São Paulo -SP

domingo, 9 de outubro de 2011

A difícil missão de comprar de modo inteligente


John Leech, Cheap Clothing, Punch Magazine (1845)

Logo após a Revolução Industrial, surgiu na Inglaterra a revista satírica Punch, que, dentre outras críticas, informava à população sobre as péssimas condições de trabalho que ocorriam nas fábricas recém estabelecidas. O tempo passou, surgiu o Direito do trabalho, a OIT, tratados internacionais e... pouco mudou. Continua existindo muito trabalho escravo pelo mundo, só que, por algum motivo obscuro, esse tema passou a ser tabu, especialmente em se tratando de moda.

Até bem pouco tempo, quem é mais consciente simplesmente boicotava ou evitava comprar produtos chineses ou feitos em outro tigre asiático ou país underground, tendo em vista a notória ausência de leis trabalhistas e ambientais nesses lugares. Até que ocorreu o caso Zara, aqui mesmo, no Brasil.

A grande repercussão desse caso da Zara se deve, ao meu ver, que não basta boicotar produtos chineses, vietnamitas, etc. A realidade é que há trabalho escravo ocorrendo aqui mesmo no Brasil, na Europa e Estados Unidos, através da exploração de imigrantes ilegais. Como os imigrantes são ilegais, eles não podem fazer valer as leis trabalhistas que existem. Já pegaram sweatshops da Donna Karan em NY, em plena Manhattan. 

Existe um documentário muito bom da Rai, emissora italiana, dizendo que o afamado Made in Italy, trabalho artesanal com couro, está acabando. Ferragamo, Gucci, Prada, Fendi etc produzem tudo na Itália, botam made in Italy, mas é tudo feito por chineses clandestinos. As máfias chinesa e italiana se associaram nessa empreitada.

Há também um livro de um jornalista italiano que investigou todo o esquema das máfias, que formam grandes organizações criminosas internacionais, envolvidas com diversos crimes como tráfico de drogas, evasão de divisas, lavagem de dinheiro, sonegação fiscal, etc. Parte de uma resenha: “Dou um único exemplo, para ilustrar a eficácia com que a organização criminosa estendeu redes que se espalham por todo o mundo. O livro de Saviano começa com uma descrição dos galpões do porto de Nápoles, onde a Máfia instala os chineses que traz ilegalmente para a Itália para trabalhar nas diferentes atividades realizadas em conjunto com o gigante asiático. Bom número desses imigrantes vem a Nápoles para aprender com os mestres nativos as técnicas da mais perfeita falsificação de calçados, vestidos, guarda-chuvas e demais artigos da moda italiana, técnicas que logo serão postas em prática nos teares de corte e confecção na China, onde são fabricados os produtos de marcas como Gucci, Armani e outras grandes casas de estilistas italianos, que logo serão vendidos em todo o mundo. As aulas são ministradas em locais pertencentes à organização criminosa, com tradutores simultâneos.”

No Huffington Post há também um artigo muito ilustrativo.

Não é problema de produto barato nem de origem. Essa é a grande questão. Uma bolsa da Prada tem preço de custo de 30 dólares (conforme o documentário) e é vendida por milhares deles. Quem compra acha que tá adquirindo luxo e, pelo preço, os costureiros estão sendo bem remunerados. Ou seja, houve uma mudança de paradigma. Havia uma presunção relativa de que os produtos provenientes de lugares underground seriam feitos por escravos, mas agora não há mais parâmetro, a sweatshop pode estar do lado da sua casa.

A partir do momento em que origem e preço não são suficientes para avaliar a ética da empresa, como fica o consumidor? Se não há diferença na origem do produto e preço para aferir se foi feito com ética, como saber onde posso comprar? Muito complicado.

Lógico que vai ter gente, de modo simplista, que vai afirmar: "ah, se é tudo feito por escravos mesmo, vou continuar comprando". Não os culpo, pois sei que não é fácil mudar de hábito. Entretanto, não devemos ser egoistas e continuar com o status quo por mero comodismo. Já se passaram mais de 200 anos desde a ocorrência da Revolução Industrial, porque não evoluimos? Basicamente, porque somos egoistas.

Como se portar então? Pensei bastante e o melhor caminho que encontrei pra mim foi o de comprar produtos feitos em países sem tradição de trabalho escravo, desde que não haja denúncia expressa. A Zara, por exemplo, foi denunciada, houve prova cabal. Então não compro mais. Continuo comprando o que for feito em tigre asiático somente aquilo que não houver opção viável. Infelizmente a tendência é que não haja mais opção, mas até lá prefiro evitar.

Sou super a favor do boicote, especialmente quando o caso vem à tona, para a empresa sentir o baque. Se ela entrar na linha, acredito que devemos voltar a comprar seus produtos, para lhe mostrar que é assim que gostamos que se faça, para que ela continue agindo corretamente, seja incentivada.

Os italianos tiveram a grande iniciativa de criar uma certificação para o verdadeiro Made in Italy, que privilegia os artesão locais, as técnicas de muitos anos, etc. A certificação, como ocorre com os orgânicos, é um ótimo caminho. Isso sim é produto de luxo, a meu ver.

Por falar em produto de luxo, há algum tempo li um post no blog Chata de Galocha em que a blogueira conta como foi conhecer a fábrica de cosméticos da Dior. Quando li o título, pensei: "nossa, que legal!". Depois, ao ler seu relato, mudei de opinião. Lá ela conta que todas as mercadorias que estão semi-perfeitas são jogadas fora, sem dó nem piedade. Em razão disso, perguntou aos funcionários o motivo e veio ter a resposta: "because we are Dior". Li os comentários ao post e percebi que quase todas as meninas estavam embasbacadas com tamanho luxo, completamente iludidas, fascinadas, deslumbradas. Fiquei preocupada. Acordem, meninas!

Sinceramente, eu duvido muito que eles joguem mercadoria semi-perfeita fora. A Dior pertence a um gigante conglomerado empresarial e a primeira coisa que um empresário pensa é no lucro. Jogar isso tudo fora é dar um tiro no pé. Ou eles reaproveitam ou vendem pro mercado B, aquele pessoal que compra wholesale e revende o Ebay. Mas pra manter aquela aura glamurosa vieram com esse papo de “because we are Dior”, especialmente porque sabiam que estavam mostrando a fábrica pra blogueiras que iriam fazer posts sobre isso. Só que esse tiro pode sair pela culatra, pois com o tempo o consumidor tá ficando consciente e cada vez menos as pessoas vão gostar de empresas que não visem a sustentabilidade. Luxo não tem nada a ver com desperdício. Bom, pelo menos é o que quero acreditar.

Vocês realmente acreditam que a Dior demitiu o Galliano porque é boazinha e quer promover direitos fundamentais? Que nada! Os diretores devem ter visto que iam perder dinheiro, possivelmente porque boa parte dos clientes é de judeus.

Não estou falando que é para deixar de comprar luxo ou que o luxo é do mal. Minha base preferida é a Diorskin Airflash, mas porque ela é excelente, não because it is Dior, simplesmente. Eu também comprei a palette Minaudière porque achei a coisa mais linda do mundo, mas tenho consciência que posso comprar sombras baratas de qualidade superior. Comprei pela embalagem mesmo, mas sem deslumbre, foi consciente. Lápis de olho, entretanto, não tem porque ser caro, conforme já expliquei aqui. Não me deixo levar pela onda, o que não me impede de apreciar algo simplesmente pela estética, de modo controlado, com exame de razoabilidade. Acredito que a diferença está aí, mas sei que não é fácil, entendo perfeitamente, mas acho que todos poderiam tentar se esforçar um pouquinho.

Também acredito que a solução não está numa revolução no comportamento. A evolução ocorre aos poucos. Se você foi na papelaria e optou por um caderninho nacional em vez de um chinês, já fez a diferença, acredite.

Conclusão do post: comprar é divertido e nós gostamos, porém devemos fazer de forma consciente, inteligente. Somos pessoas ou gado? Somente como autônomos podemos evoluir e sair da época da Revolução Industrial, ou até mesmo da Idade da Pedra.

sábado, 16 de outubro de 2010

Para reflexão


Eu adoro o Tim Gunn, ele tem ótimas dicas de estilo. Depois falo mais sobre ele. Passei a gostar ainda mais dele depois desse vídeo.

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