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quarta-feira, 5 de setembro de 2012
A Contém 1g e o Lucro Brasil
Eu tenho lido muitas resenhas sobre o corretivo e a base Velvet da Contém 1g na blogosfera. A maioria dos posts, que comentam o jabá, elogia os produtos e apenas menciona no final o preço de cada um: R$ 157,00 da base e R$ 76,00 do corretivo, valores esses equivalentes aos de produtos high end importados. Não há qualquer análise crítica do preço ou do custo-benefício dos presentes.
Vale esclarecer que os produtos importados são
muito caros em razão de os tributos incidirem com função extrafiscal, ou
seja, para limitar a sua venda e incentivar a indústria nacional. Entretanto, a Contém 1g, ardilosamente, achou melhor se nivelar por cima e cobrar um valor alto, como se incidissem os mesmos tributos dos importados, a fim de
justificar o preço alto, como se valesse aquilo mesmo. Ainda que fossem o
melhor corretivo e base do mercado não pagaria, pois acho moralmente errado
esse superfaturamento. Parece até o Lucro Brasil dos carros fabricados aqui.
Eu tenho a impressão de que essas marcas colocam o preço lá no alto e,
se colar, colou. Se ninguém comprar, eles vão ter que abaixar o preço. É
a lei da oferta e da procura, eles estão cobrando isso porque as pessoas
pagam. A maioria acha que maquiagem boa tem que ser cara mesmo, o que denota falta de informação, especialmente em relação a lápis de olho. Nem sempre o que é mais caro é melhor. É a mesma falácia de quem acha que médico bom é aquele que não aceita plano de saúde. Não há relação necessária entre premissa e conclusão.
Dispensa-se um esforço intelectual muito grande para perceber que os preços fixados pela Contém 1g são completamente fora da razoabilidade. Estava vendo na Elle de agosto uma seleção de bases novas, com todos os preços. Acho que se você pagasse 20 reais a mais levaria a HD da MUFE, comprada no Brasil.
O consumidor brasileiro precisa ser mais consciente. Não é só em relação a maquiagem, não, tudo aqui é mais caro e de menor qualidade. Várias fórmulas de produtos são "adequadas", leia-se barateadas, qdo vêm pra cá. As empresas botam a culpa no Custo Brasil. Tá certo, a carga tributária é absurda, mas não é toda a culpada. Se comparado com a China, que ignora o respeito ao meio ambiente e ao trabalhador, o Brasil é caro. Mas e em relação aos Estados Unidos e à Europa? Quase todas as maquiagens caras são de lá e eu tenho certeza que um operário lá ganha bem mais que aqui. Por isso que falei do Lucro Brasil. A falta de transparência quanto à incidência de tributos faz com que o consumidor não tenha noção do valor real da mercadoria, aí as empresas botam o preço lá em cima e as pessoas acham que é tudo por causa dos tributos.
Li num blog alguém falando de reposicionamento da marca. Sinceramente, acho que isso é mero artifício de marqueteiro para pegar consumidor trouxa. Se a embalagens passasem a ser feitas com papel reciclado ou de plástico biodegradável feito de milho e as fórmulas virassem hipoalergênicas, biodegradáveis, sem componentes sintéticos tóxicos, parabenos, propilenoglicol etc, com altas pesquisas tecnológicas, talvez.
Dispensa-se um esforço intelectual muito grande para perceber que os preços fixados pela Contém 1g são completamente fora da razoabilidade. Estava vendo na Elle de agosto uma seleção de bases novas, com todos os preços. Acho que se você pagasse 20 reais a mais levaria a HD da MUFE, comprada no Brasil.
O consumidor brasileiro precisa ser mais consciente. Não é só em relação a maquiagem, não, tudo aqui é mais caro e de menor qualidade. Várias fórmulas de produtos são "adequadas", leia-se barateadas, qdo vêm pra cá. As empresas botam a culpa no Custo Brasil. Tá certo, a carga tributária é absurda, mas não é toda a culpada. Se comparado com a China, que ignora o respeito ao meio ambiente e ao trabalhador, o Brasil é caro. Mas e em relação aos Estados Unidos e à Europa? Quase todas as maquiagens caras são de lá e eu tenho certeza que um operário lá ganha bem mais que aqui. Por isso que falei do Lucro Brasil. A falta de transparência quanto à incidência de tributos faz com que o consumidor não tenha noção do valor real da mercadoria, aí as empresas botam o preço lá em cima e as pessoas acham que é tudo por causa dos tributos.
Li num blog alguém falando de reposicionamento da marca. Sinceramente, acho que isso é mero artifício de marqueteiro para pegar consumidor trouxa. Se a embalagens passasem a ser feitas com papel reciclado ou de plástico biodegradável feito de milho e as fórmulas virassem hipoalergênicas, biodegradáveis, sem componentes sintéticos tóxicos, parabenos, propilenoglicol etc, com altas pesquisas tecnológicas, talvez.
Em outro blog, li comentários no sentido de que paga quem quer. Claro, é trouxa quem quer também. O consumidor esquece sua função social, de que o sucesso da empresa depende dele. De que se não comprar o produto ou porque está caro, ou porque não foi observada a legislação ambiental,etc, a empresa quebra. O consumidor esquece o poder que tem e faz afirmações levianas, sem pensar nas consequências de suas atitudes.
É por essas e outras que mulher que gosta de moda e beleza não é levada a sério, é taxada de fútil, boçal. A preocupação com amenidades, que tornam nossa vida mais leve e colorida, não dispensa que tenhamos senso crítico e raciocinemos a respeito de nossas atitudes também em relação a esses temas. Somente deste modo estaremos legitimadas a perder tempo com as "superficialidades" que quisermos.
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consumo consciente,
maquiagem
quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012
Batons com chumbo
O FDA publicou uma lista de 400 batons que contém chumbo. Não é lenda urbana. Veja se os seus estão aqui.
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beleza,
consumo consciente,
informações,
maquiagem
sábado, 28 de janeiro de 2012
Formadores de opinião é o novo "artistas e intelectuais"
Quando a Renata escreveu a respeito do fim das bases, decretado pelos mais prestigiados maquiadores, me animei para terminar de escrever este post, que havia começado quando li este artigo no Estadão sobre algumas blogueiras como sendo as "novas formadoras de opinião".
Há algum tempo tenho visto esse termo, "formadores de opinião", ser largamente utilizado em jornais e revistas. Em jornais, principalmente. Acredito que seja o novo "artistas e intelectuais", chavão há muito querido por jornalistas. Na realidade, ambos são reles argumentos de autoridade falaciosos. Funciona assim: para te convencer de algo, o autor do texto afirma que determinada coisa é must have por ser utilizada por formadores de opinião, ou que determinado bar é hype por frequentado por artistas e intelectuais.
A fórmula é a seguinte: "X disse que P; logo, P", sendo X uma pessoa ou grupo de pessoas tidos como autoridade e P uma afirmação qualquer. O argumento para te convencer é simplesmente a opinião ou pretensa opinião de alguém que teria alguma credibilidade.
O autor foge do assunto, já que não são apresentados argumentos lógicos de convencimento, mas simplesmente o pretenso prestígio de determinada pessoa, o que não quer dizer absolutamente nada. Por isso é uma falácia, já que as razões apresentadas não sustentam o que se afirma, em virtude de inexistência de lógica entre a premissa e a conclusão.
Na prática:
“Não é uma tendência, é um statement”, acredita Fabiana Gomes, maquiadora sênior da MAC, a respeito do fim da base.
A Vogue utilizou o argumento de uma autoridade para te convencer que a base acabou. Quem é a autoridade? A maquiadora sênior da MAC. Por que ela seria uma autoridade? Porque ela representa uma grande marca de maquiagem. Ora, mas a MAC produz uma série de bases, porque sua representante iria contra os interesses de quem paga seu salário? Pronto, verifica-se o despautério da proposição. Por trás disso o que dá para entender? A maquiadora pretendia promover o BB Cream da MAC, então determinou que não se usa mais base para que todas comprassem o novo produto. Parte iria gostar, outra parte não iria ficar satisfeita e voltaria para as bases. Com o tempo ninguém iria lembrar mais da asneira dita e tudo voltaria a ser como antes, mas com o BB Cream devidamente inserido no mercado.
Este foi um exemplo simplório para demonstrar a impropriedade na larga utilização de argumentos de autoridade como "formadores de opinião" e "artistas e intelectuais" pela mídia. Eu sempre desconfio de textos que começam a falar de algo puxando o bordão dos artistas e intelectuais. Jornalistas adoram o termo e às vezes ele é usado como marketing de produtos. Exemplo: a Moleskine se gaba de seus caderninhos terem sido usados por gente como Henry Matisse, Vincent Van Gogh, Pablo Picasso e Ernest Hemingway, dentre outros. Antes de analisar a falácia, lembro do que havia dito aqui, que o Moleskine não possui relação direta com o caderninho original, usado pelos artistas mencionados. Na verdade, esses caderninhos já eram fabricados à mão por pequenos artesãos franceses desde o século XIX. Não havia propriamente uma marca. Em 1997, uma empresa italiana resolveu registrar o nome Moleskine e produzir em massa os bloquinhos de notas, ou seja, muito tempo depois da morte dos renomados artistas.
Agora a falácia: Hemingway usava Moleskine, logo, Moleskine é bom. Bom para quê? Para escrever? Você acha que vai escrever tão bem e ter ideias tão geniais quanto Hemingway só porque usa o tipo de caderno que ele usava? Você acha que suas ideias são tão dignas de nota quanto as de Hemingway? A Moleskine te faz crer nisso, ela infere que quem usa seus cadernos é tão bom quanto Hemingway. A pretensão é tão grande que chega a ser piada.
Digamos que o formato de caderno tenha mérito a respeito de anotar brilhantes ideias para um texto. Por que tem que ser da Moleskine, não pode ser de outra marca concorrente que tenha o mesmo tipo de produto. Ah, porque Hemingway usava "Moleskine". Bom, mentira, mas entendem?
E os formadores de opinião? Formador de opinião seria uma pessoa com capacidade de influenciar e modificar a opinião de outras pessoas nos mais diversos campos, como moda, política, música, filosofia. Por isso os autores andam fascinados com essa expressão, já que ela é muito mais abrangente que "artistas e intelectuais". Em relação a objetos de consumo, especialmente na área da moda, o Estadão decretou que certas blogueiras são as novas formadoras de opinião.
Não há dúvidas que elas influenciam muitas meninas. O perigo está em acreditar que elas são autoridades com credibilidade naquilo que dizem. Ah, a fulana diz que é bom, então vou comprar. Ela ganha dinheiro para dizer isso e muitas não percebem. Ainda que a fulana entenda mesmo daquilo que esteja falando, não acredite de cara, questione, veja se é o adequado para você. Com o bombardeio de informações através de diversas mídias, há muita coisa errada e equivocada sendo dita, de modo que se torna ainda mais importante filtrar aquilo que tenha alguma serventia. Não se deixe influenciar assim tão facilmente. Quem tem que ser formador de opinião é você.
Foto: Worldstart
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terça-feira, 10 de janeiro de 2012
Porque a Estée Lauder e a Avon voltaram a testar em animais
Mandei um e-mail para a Peta perguntando porque a Avon e Estée Lauder passaram para a lista das empresas que testam em animais, já que elas já não o faziam há mais de 20 anos. A Peta me informou que a China está exigindo o teste em animais para que os produtos sejam comercializados naquele país. Sendo assim, algumas empresas desistiram de vender lá e outras se adequaram. Isso é péssimo, a China é um mercado emergente, raras empresas vão querer perder esse filão. A Peta pediu que mandássemos e-mails informando à Avon e à Estée Lauder nosso descontentamento para com essa atitude.
Parece que a Avon e a Estée Lauder estão pagando para que terceiros realizem os testes lá na China mesmo. China, sempre ela... Quanto às demais marcas da Estée Lauder (MAC, Bobbi Brown, Clinique, etc), a Peta ainda está verificando a situação. Rezemos para que pelo menos a MAC fique de fora dessa. :(
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sábado, 7 de janeiro de 2012
Atualização da lista das empresas que testam em animais
Para a tristeza de muita gente e de muitos bichinhos, houve atualização na lista do Peta de empresas que testam em animais. Para acrescentar, não para diminuir.
A Avon, Mary Kay e a Estée Lauder voltaram a testar! Poxa, que decepção! Ainda não entendi o motivo do Peta ter acrescentado essas empresas na lista, vou pesquisar [edição: veja o motivo aqui]. As marcas da Estée Lauder como Clinique e MAC continuam constando na lista das que não testam, o que achei estranho. Também não aparecem as marcas recém compradas pela Shiseido, como Nars e Bare Escentuals, que não testavam antes da aquisição. Esta última consta na lista das que não testam.
Achei estranho também porque, a partir do ano que vem, será proibida a comercialização de cosméticos testados em animais na União Europeia. A L'Oréal chegou a recorrer da decisão no Tribunal de Justiça da União Europeia, sem sucesso, então está valendo, era para as empresas se adaptarem e não retrocederem. Parece, entretanto, que estão tentando prorrogar a vacatio legis indefinidamente, espero que entre logo em vigor.
A Alberto Culver, do TRESemmé, foi comprada pela Unilever (agora entendi porque ele veio para o Brasil e zoado), que testa sem pudores. A The Body Shop, apesar de pertencer agora à L'Oréal, continua na lista das que não testam. É uma das pouquíssimas marcas da L'Oréal que não testam.
Segue parte da lista:
- 3M
- Acuvue (Johnson & Johnson)
- Air Wick (Reckitt Benckiser)
- Alberto-Culver (Unilever)
- Always (Procter & Gamble) - absorvente não tem jeito, a Anvisa exige o teste :(
- Aquafresh (GlaxoSmithKline)
- Aussie (Procter & Gamble)
- Aveeno (Johnson & Johnson)
- Avon Products, Inc.
- Axe (Unilever)
- Band-Aid (Johnson & Johnson)
- Bic Corporation
- Biotherm (L'Oreal)
- Cacharel (L'Oreal)
- Carefree (Johnson & Johnson)
- Chapstick (Pfizer)
- Clairol (Procter & Gamble)
- Clean & Clear (Johnson & Johnson)
- Clorox
- Close-up (Church & Dwight)
- Colgate-Palmolive Co.
- Comfort (Unilever)
- Coppertone (Schering-Plough)
- Crest (Procter & Gamble)
- DOLCE & GABBANA (Procter & Gamble)
- Dove (Unilever)
- Easy-Off (Reckitt Benckiser)
- Escada Fragrances (Procter & Gamble)
- Estée Lauder
- Fekkai (Procter & Gamble)
- Finish (Reckitt Benckiser)
- Garnier (L'Oreal)
- Gillette Co.(Procter & Gamble)
- Giorgio Armani (L'Oreal)
- Glade (S.C. Johnson)
- Gucci Fragrances (Procter & Gamble)
- Head & Shoulders (Procter & Gamble)
- Helena Rubinstein (L'Oreal)
- Herbal Essences (Procter & Gamble)
- Hugo Boss (Procter & Gamble)
- Johnson & Johnson
- K.Y. (Johnson & Johnson)
- Kerastase (L'Oreal)
- Kiehl's (L'Oreal)
- Lacoste Fragrances (Procter & Gamble)
- Lancôme (L'Oreal)
- LaRoche Posay (L'Oreal)
- Listerine (Johnson & Johnson)
- L'Oreal USA
- Lux (Unilever)
- Lysol (Reckitt Benckiser)
- Mary Kay
- Matrix Essentials (L'Oreal)
- Max Factor (Procter & Gamble)
- Maybelline (L'Oreal)
- Neutrogena (Johnson & Johnson)
- Off (S.C.Johnson)
- Olay (Procter & Gamble)
- Pampers (Procter & Gamble)
- Pantene (Procter & Gamble)
- Piz Buin (Johnson & Johnson)
- Ponds (Unilever)
- Procter & Gamble
- Raid (S.C. Johnson)
- Ralph Lauren Fragrances (L'oreal)
- Reach (Johnson & Johnson)
- Reckitt Benckiser
- Redken (L'Oreal)
- Rembrandt (Johnson & Johnson)
- ROC (Johnson & Johnson)
- S.C. Johnson
- Seda (Unilever)
- Schering-Plough (Merck)
- Sebastian Professional (Procter & Gamble)
- Sensodyne (GlaxoSmithKline)
- Shiseido Cosmetics
- Shu Uemura(L'Oreal)
- SK-II (Procter & Gamble)
- Tide (Procter & Gamble)
- Unilever
- Vaseline (Unilever)
- Veet (Reckitt Benckiser)
- Vichy (L'Oreal)
- Vidal Sasson (Procter & Gamble)
- Viktor & Rolf (L'Oreal)
- Walgreens
Não testam (parte):
- Alba Botanica
- Almay
- Anastasia Beverly Hills
- Aubrey Organics
- Avalon Organics
- Aveda (Estée Lauder)
- Bare Escentuals (Shiseido)
- Bath & Body Works
- Bobbi Brown (Estee Lauder)
- Boscia
- Bumble and Bumble (Estee Lauder)
- Burt's Bees
- C.O. Bigelow
- Carmex
- Carolina Herrera (Puig)
- Caudalie USA, Inc.
- Cinema Secrets
- Clarins of Paris
- Clinique (Estee Lauder)
- Coach (Estee Lauder)
- Conair
- Cover FX Skin Care
- Crabtree & Evelyn Cosmetics
- Dermalogica
- Donna Karan (Estee Lauder)
- Dr. Hauschka Skin Care
- DuWop Cosmetics, LLC
- E.L.F. Cosmetics
- Everyday Minerals
- Gosh Cosmetics
- H2O Plus
- Hard Candy
- Hourglass Cosmetics
- Jo Malone (Estee Lauder)
- Joe Blasco Cosmetics
- Josie Maran Cosmetics
- L.A. Colors (Beauty 21)
- L.A. Girl (Beauty 21)
- L’Occitane
- L'anza Healing Haircare
- Lime Crime Cosmetics
- LUSH Cosmetics
- M.A.C. Cosmetics
- Murad, Inc.
- NYX Los Angeles Inc.
- Obsessive Compulsive Cosmetics, Inc.
- OPI Products (Coty)
- Origins (Estee Lauder)
- Orly International
- Palmer's
- Paul Mitchell Systems
- Payot (Puig)
- Physicians Formula
- Pilot Corporation of America
- Prestige Cosmetics
- Revlon
- Smashbox Cosmetics (Estee Lauder)
- Stila Cosmetics
- Surya Brasil
- Talika
- Tarte Cosmetics
- The Body Shop (L'Oreal)
- Thierry Mugler Beauty
- Tom Ford (Estee Lauder)
- Tommy Hilfiger (Estee Lauder)
- Tom's of Maine (Colgate-Palmolive)
- Too Faced Cosmetics
- Urban Decay
- Victoria's Secret
- Weleda, Inc.
- wet n wild
- Yes to Carrots
Como vocês podem ver, existem diversas marcas que fabricam produtos excelentes e seguros, caros e baratos e que não testam em animais. Na lista coloquei apenas as mais conhecidas, mas existem bem mais. Isso é motivo suficiente para que o teste em cosméticos fira a razoabilidade. Não sou fã da Peta e nem sei se essas listas são 100% confiáveis, mas acredito que seja o melhor parâmetro que nós temos.
Nenhum produto é insubstituível, dá um pouquinho de trabalho largar aquele antigo favorito testado, mas vale a pena. Os coelhinhos não merecem sofrer pela vaidade de ninguém.
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segunda-feira, 26 de dezembro de 2011
Resolução para o ano que vem e os seguintes: Slow Fashion
O Slow Fashion é um movimento que veio em resposta ao irresponsável fast fashion, na onda de outros fenômenos, como o slow food, que vêm ocorrendo de modo a reagir contra o mundo cada vez mais corrido e atribulado em que vivemos.
Em vez de incentivar modinhas e que você use uma peça meia-boca umas duas vezes e a jogue fora, o Slow Fashion valoriza a produção de peças artesanais, feitas à mão com técnicas antigas, com a devida valorização do trabalho humano, tal qual a Chanel faz com o Métiers d'Art, na promoção de seus ateliês.
A ideia é a de adquirir poucas e boas peças, atemporais e de excelente qualidade, que vão durar por muitos anos. Toyotismo em detrimento do Fordismo. Também é incentivada a sustentabilidade no quesito ecológico, com maior cuidado no manejo dos recursos naturais. Ou seja, é a busca de uma moda mais ética, em todos os sentidos.
Naturalmente que as roupas sairão mais caras. Afinal, o artesão/costureiro será bem remunerado, serão cumpridas normas ambientais que exigem certo investimento nas fábricas dos tecidos, serão utilizados materiais mais nobres. Mas slow fashion não é só Chanel ou Hermés.
Acredito que a profissão do alfaiate voltará com tudo. Eu peno para achar blazers e camisas sociais que caiam bem em mim. Assim como eu, devem existir várias pessoas com o mesmo problema. Diante disso, sempre quis em fazer um terno em Savile Row com Edward Sexton, o alfaiate que ensinou o ofício a Stella McCartney e foi o primeiro a fazer peças em alfaiataria sob medida para mulheres. Ele também é o alfaiate dos roqueiros, desde os tempos do mod ;).
Você também pode procurar por referências e bancar a estilista mandando fazer roupas na costureira. Ter uma costureira é um luxo! Eu consegui arranjar duas: uma para roupas mais finas, de festa, e outra especializada em malharia, que prometeu me ensinar a costurar ano que vem (!). Na primeira mandei fazer um vestido longo belíssimo em chanel de seda pura, com renda francesa Chantilly toda bordada com pedrarias e paetês, que usei num casamento em que fui madrinha. Ela me cobrou R$ 400,00 pela mão-de-obra. Achei muito justo o preço e o vestido foi feito sob medida! A experiência é ótima, super recomendo! Na segunda mandei fazer uma blusinha com gola Peter Pan, que acho linda, bem retrô, que não tinha visto para vender por essas bandas.
Se você preferir o prêt-à-porter, a Maria Bonita lançou uma nova linha chamada MB Infinito, com a proposta do slow fashion. Preço médio: R$ 460,00 para camisas, R$ 352,00 para blusas, R$ 507,00 para calças e R$ 420,00 para vestidos. O Philip Lim também faz um trabalho semelhante.
Há ainda a possibilidade de DIY! Aprenda a costurar, tricotar, etc. Você pode fazê-lo quando está no metrô, na fila do banco ou durante o pedicure. Não é coisa de vó! A meu ver, peças únicas e personalizadas são luxo. Além disso, tal atitude certamente impede as compras impulsivas. Como você vai ter trabalho, vai pensar duas vezes se realmente quer aquela peça e vai dar muito mais valor a ela quando estiver pronta.
A apresentadora Chiara Gadaleta é a única da área fashion que vejo promover o tema. Ela tem um site bem interessante sobre moda sustentável. Para mais informações, leia esse artigo do The Guardian e o site Slow Fashioned.
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terça-feira, 6 de dezembro de 2011
Feira da Providência
Para quem não conhece, a Feira da Providência é um evento bastante tradicional aqui do Rio, que acontece há 50 anos, todos os anos e é promovido pelo Banco da Providência, ligado à Igreja. É tipo uma mega quermesse. A ideia original era a de promover um bazar destinado a arrecadar recursos para a caridade com produtos típicos de diversos países, doados pelos mesmos, bem como de estados brasileiros.
Até alguns anos atrás era isso que ocorria. Trabalhavam nas barraquinhas estrangeiros e descendentes e dava para comprar importados por um precinho camarada e, de quebra, você ajudava os pobres. A barraca da França sempre foi uma das mais concorridas. Lembro-me que, desde criança, via as moças louras de olhos claros, muito simpáticas, que mal falavam o português vendendo perfumes. Na época em que não havia importação era o máximo. Havia também na França uma seção imensa de queijos e vinhos. A Inglaterra trazia biscoitos amanteigados e chás. A Bélgica vinha com chocolate! Ah, bons tempos!
A última vez que a Bélgica esteve na Feira foi em 2006, acredito. Gastei uns R$ 100 em chocolates :). No ano seguinte, que decepção, ela não veio. E assim foi decaindo a Feira ao longo dos anos, acredito eu, que em razão da crise financeira. Os países não doam mais mercadorias. Os espaços são alugados para quem quiser dar uma cara temática à barraca. O lucro da barraca é do comerciante, a caridade é feita com o valor cobrado pelo aluguel. Na barraca da França não há mais francesas. É uma perfumaria brasileira normal, que vende produtos tão caros quanto os das lojas. Os produtos apreendidos pela Receita Federal, que são colocados à venda são ainda mais caros que os do mercado! Mesmo com a decadência, resolvi ir de novo esse ano.
Fui direto para a Áustria, uma das minhas preferidas. Ela sempre traz bijouterias com cristais Swarovski e os preços são ótimos. De uns anos para cá as bijouterias andavam meio feias, então quando vi a fila homérica, desanimei. Liechtenstein, que estava vindo com coisas lindas, infelizmente não comparece há uns 2 anos. Fiquei feliz então quando vi coisinhas maravilhosas na Rep. Tcheca e na Bulgária, novidades desse ano.
Tenho cabelo fino e ralo, então prefiro piranhas de cabelo pequenas e que prendam bem, o que não é fácil achar. Até que vi essas lindas de metal aí de foto ao preço de 2 por R$ 5,00. Comprei na barraca da Rep. Tcheca. Na Bulgária comprei os braceletes de metal. R$ 15,00. Amei, achei tudo lindo, com cara vintage e design art nouveau, uma das minhas estéticas preferidas. Ah, a Feira valeu por essas novidades, pensei.
Estava felicíssima, até que fui ontem numa loja tipo bazar geral comprar um cortador de batatas. Numa parede dela ficam umas quinquilharias chinesas. Adivinhe o que estavam lá? As mini piranhas... Pois é! Eu crente-crente que tinha feito comprinhas ótimas, de bijuterias com cristais tchecos, com estética art nouveau e preços fantásticos e me deparo com aquilo! Que engodo!!! É tudo chinês!!!! Que decepção. :(
A Feira é o retrato do mundo. Agora mais do que nunca. :(
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domingo, 4 de dezembro de 2011
Creme Corporal Hidratante Colágeno Elastina St. Ives
Estava até pouco tempo muitíssimo satisfeita com esse hidratante. Ele hidrata bastante, absorve rápido e deixa a pele macia. Era tudo o que eu queria, especialmente agora no calorão. Parecia perfeito! Até que fui procurar por ele no Cosmetics Database, que lhe deu a terrível nota 7.
Esse banco de dados sobre cosméticos é realizado pela EGW's Skin Deep, uma organização não-governamental americana que se preocupa com a segurança dos cosméticos em geral. Eu não costumo gostar desse tipo de organização, por uma série de motivos, mas essa me parece séria. No banco de dados existem vários produtos encontrados no mercado, avaliados numa pontuação que varia de 0 a 10, sendo que quanto maior ela for, maior será o grau de periculosidade para a saúde. São listados os ingredientes da composição, uma explicação sucinta sobre o malefício, bem como a certeza científica do dano.
O creminho da St. Ives recebeu 7. Fui checar os ingredientes e percebi que a fórmula do produto americano é diferente da do produto argentino, que é o vendido no mercado brasileiro. A maior preocupação do EWG foi com a quantidade de perfume na fórmula. O curioso é que na versão americana há muito menos perfume que na argentina. Então acredito que a avaliação do creme argentino seria ainda pior. Poxa :(.
Para entender melhor como ler os ingredientes: estão todos em inglês seguindo o padrão INCI, que também exige que sejam listados em ordem decrescente de quantidade na fórmula. Aqui percebemos a importância que tem a informação diante da hipossuficiência do consumidor. Quem não é farmacêutico, químico ou curioso, não tem noção dessas coisas. Quando vi o vídeo aí de baixo, fiquei sabendo que nem todas as substâncias da fórmula são colocadas na embalagem, que o FDA não exige e não testou a maioria delas. Aposto que a Anvisa é ainda mais condescendente. Oremos, :P.
Ingredientes produto americano: Water - Aqua, Glycerin, Mineral Oil - Paraffinum Liquidum, Propylene Glycol, Stearic Acid, Glycol Stearate, Stearamide AMP, Petrolatum, Dimethicone, Acetylated Lanolin Alcohol, Cetyl Acetate, Glyceryl Stearate SE, Triethanolamine, Cetyl Alcohol, Sunflower Extract - Helianthus Annuus, Primula Veris Extract, Sambucus Nigra Flower Extract, Matricaria Flower Extract - Chamomilla Recutita, Magnesium Aluminum Silicate, Carbomer, Tetrasodium EDTA, Sorbitol, Hydrolyzed Collagen, Hydrolyzed Elastin, Tocopheryl Acetate, Wheat Germ Oil - Triticum Vulgare, Panthenol, Phenoxyethanol, Methylparaben, Fragrance - Parfum, Red 33 - CI 17200, Red 4 - CI 14700, Blue 1 - CI 42090, Yellow 5 - CI 19140
Ingredientes produto argentino: water (aqua, eau), mineral oil (paraffinum liquidum, huile minèrale), propylene glycol, glycol stearate, stearic acid, petrolatum, glyceryl stearate SE, dimethicone, cethyl acetate, triethanolamine, phenoxyethanol, methylparaben, cetyl alcohol, fragrance (parfum), magnesium aluminum silicate, acetylated lanolin alcohol, carbomer, tetrasodium EDTA, stearamide AMP, hydroxyisoethyl 3-cyclohexene carboxaldehyde, hydrolized elastin, hydrolized collagen, triticum vulgare (wheat) germ oil, tocopheryl acetate, panthenol, sorbitol, sambucus nigra flower extract, primula veris extract, helianthus annuus (sunflower) extract, chamomilla recutita (matricaria) flower extract, yellow 5 (CI 19140), red (CI 17200), blue 1 (CI 42090)
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segunda-feira, 28 de novembro de 2011
Por que ao brasileiro resta a xepa?
A Marcela fez uma comparação aqui dos shampoos de hidratação profunda da TRESemmé comprados na Argentina e no Brasil. Infelizmente ela chegou à conclusão que o brasileiro é muito inferior, tudo difere. Eu ainda não pude fazer comparação porque os produtos que tenho não possuem similar aqui.
Não é de hoje que isso ocorre. Tenho a impressão que os empreendedores das duas uma: ou acham que os brasileiros são inferiores ou otários. Até o que temos de melhor aqui é mandado para fora e ficamos com a xepa. A castanha de caju é mais barata na França que aqui, por exemplo, e aposto que as vendidas lá são as melhores. O aparelho de barbear da Gilette made in Brazil vendido nos Estados Unidos é melhor que o similar que temos aqui. Meu padrinho só compra lá, faz estoque, diz que a diferença é impressionante.
Isso sem falar nos carros, que são latas velhas ambulantes, na ridícula variedade de produtos em geral, nos preços abusivos... Eu adoro ir a supermercados quando viajo e sempre tenho uma sensação dúbia de euforia e revolta quando passeio pelas gôndolas. O cream cheese Philadelphia americano é gritantemente superior ao nacional. Absurdamente superior. Aliás, o daqui não deveria nem ter a marca Philadelphia, sob pena de incorrer o consumidor viajante em erro.
Enfim, minha sugestão: se puder, guarde seu dinheirinho e compre tudo lá fora. Só assim a indústria nacional vai tomar vergonha na cara, parar de jogar toda a culpa nos impostos (é leviano achar que eles são todo o mal do Brasil), se possível fazendo lobby no Governo, se adequar e colocar no mercado produtos dignos da gente.
Foto: Worldstart
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consumo consciente
sexta-feira, 25 de novembro de 2011
A Arezzo copia e tem a cara de pau de cobrar caro
Lembram do post que eu fiz aqui sobre as bolsas-maleta? Deem uma olhada na bolsa da Kate Spade e agora nessa aí de cima, da Arezzo. Igual e custa R$ 400,00. ¬¬ Eu prefiro pagar US$ 295 na bolsa da Kate Spade do que ser conivente com o boçal do Anderson Birman. Já leram a entrevista dele na Folha de SP? Vergonhoso.
Ah, as ferragens da bolsa da Kate Spade são em ouro 14 quilates.
Foto: The Bag Lady
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quinta-feira, 24 de novembro de 2011
O tabu das fast fashion
Um professor meu sempre dizia: "leiam tudo, de bulas de remédio a revistas pornográficas". Concordo absolutamente. Sempre tive esse tipo de atitude, mas ao ouvir isso na faculdade tive certeza de estar no caminho certo. Conhecimento a respeito dos mais variados temas e personalidades faz com que você tenha uma visão panorâmica, que te auxilia a pensar sistematicamente e aprimorar seu senso crítico. Em outras palavras: por isso que eu leio todos os tipos de blogs, sites e publicações de moda, os que eu concordo e os que eu não concordo. Alguma coisa sempre se aproveita.
Mesmo depois do episódio Zara, as blogueiras continuam elogiando a marca e fazendo apologia à sua estratégia de ctrl c + ctrl v das semanas de moda internacionais. Não foi surpresa, já esperava por isso. Entretanto reparei que, não só os blogs, mas ninguém chega a questionar o sistema de fast fashion. Aliás, para não dizer ninguém, li na entrevista que o estilista Philip Lim deu na Elle deste mês que ele não gostava. A opinião dele ilustra o início desse post. Apesar de ser um ótimo argumento de autoridade, sua posição é quase nada comparada às das "formadoras de opinião" que não têm opinião (esse é outro assunto que rende, deixarei para um próximo post).
Quem tem um pouco mais de conhecimento e visão sabe que a moda não é simplesmente as roupas que as pessoas vestem, mas envolve um contexto econômico, político e sociológico. É leviandade achar que discutir moda é perder tempo com questões fúteis. Em razão disso me pergunto: "já que aqueles que lidam diretamente com a moda não criticam o fast fashion, porque não o fazem os colunistas, sociólogos, empreendedores?" É tabu? Tudo o que dá muito dinheiro sem legitimidade é tabu. Ninguém quer entrar em briga de cachorro grande.
Eu já li, pelo menos, 2 textos em jornais falando do espírito empreendedor e visionário de Alexandre Birman ao vislumbrar a fast fashion Schutz. Sim, a Schutz pode não ser barata, mas é tida como fast fashion pelos seus administradores. Se você for analisar é mesmo. Tudo "inspirado", tal qual a irmã Arezzo.
Não vou entrar propriamente no mérito das inspirações e cópias, pois esse tema é bastante sofisticado e requer análise técnica. Talvez escreva sobre isso um dia. Falarei sobre o que mais diretamente diz respeito ao consumidor e ser humano em geral: impacto ambiental, sentido de vida, solidariedade e dignidade humana.
Ao explicar o conceito de fast fashion para algum desavisado, você poderia lhe informar que se trata de uma maneira de se levar ao grande público peças com informação de moda, baseadas nas tendências vistas nos grandes desfiles internacionais, quase que em tempo real, com enorme variedade, tudo isso por um preço bastante razoável. Nossa! Parece ótimo! Quem não iria gostar disso?
Antes de ter a real percepção do fast fashion eu cheguei a pensar que finalmente os menos abastados iriam poder comprar roupas legais. Pobre, só porque é pobre tem que se vestir mal? Até bem pouco tempo atrás eu passava em frente à C&A e à Renner e só via coisas pavorosas. De vez em quando eu comprava umas calcinhas e olhe lá! O que custava arranjar um estilista decente e fazer peças mais simples?
Até que fui notando a gritante melhora no design das mercadorias e acreditei que estavam democratizando a moda. Inclusão social! Que barato! Que engodo! Vestidos por R$ 100,00? Lógico que é mais barato que nas demais lojas, mas pobre que é pobre não tem dinheiro pra comprar isso. Ou seja, o tal do fast fashion veio para atingir as classes média e média-baixa principalmente, que têm o recalque de não ter grana para comprar em grifes de luxo. Pobre não faz ideia do que seja Hermés ou Prada. Talvez ele conheça Armani, porque os jogadores de futebol adoram. Para ele, comprar uma camiseta falsificada escrita Armani está de bom tamanho, para ele ficar igual ao ídolo. Quanto às mulheres, bastam encontrar algo semelhante ao que usa a madame da novela. O ônus, então, está na classe média.
Nós da classe média finalmente teríamos a chance de usar os passarinhos da Miu Miu, a bolsa box da Céline e os vestidinhos ladylike da Louis Vuitton! Poxa, chega a ser meio patético. Superficialmente falando, a inspiração, por si só, é inerente à moda, faz parte. Quase todas as grifes brasileiras levam em consideração os desfiles internacionais, razão pela qual eu acredito que ainda não haja uma moda essencialmente brasileira. A questão não é essa. Ridículo é ficar toda imponente porque está com a bolsa pseudo-Birkin comprada na 284. É aquela velha questão do ter x ser. Mas de todos os males, talvez esse seja o menor.
Os problemas maiores mesmo são aqueles que envolvem o impacto de tanto consumo no meio ambiente e nas relações de trabalho, que eu, de certa forma, falei aqui. Para produzir tanto, haja algodão (+ fertilizantes poluidores, + agrotóxicos, + super gasto de água para irrigar a plantação), haja gasolina para transportar as peças, etc. Para produzir tão rápido, só explorando os outros (trabalho escravo...). Enfim, aqui tudo que a gente já sabe. Ah, e como parte das roupas é de qualidade questionável (alô, Primark), após a modinha as pessoas não doam para caridade, mas jogam fora.
Será que vale mais a pena usar a modinha descartável ou investir em peças atemporais e de qualidade? Certamente que é mais difícil se diferenciar na multidão com menos peças, mais tradicionais, mas isso revelará seu verdadeiro estilo e personalidade. Está lançado o desafio!
Suzy Menkes afirmou recentemente que o futuro será das grifes médias. A conferir. Não se esqueçam que há também os novos estilistas, que trabalham de forma independente, com produção pequena e quase exclusiva, preços bem em conta e sem exploração. Eu apoio!
Para quem quiser saber mais sobre o tema, recomendo o vídeo a seguir, extremamente elucidativo, simples e direto. Há um post complementar bem interessante no Oficina de Estilo também.
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quinta-feira, 10 de novembro de 2011
A inflação inescusável dos produtos da Eyeko
Muitas de vocês já devem estar sabendo do imbróglio envolvendo a Eyeko. Vários blogs já se pronunciaram a respeito. Li vários posts e comentários sobre o tema e, como o rímel da marca é meu preferido, fiquei com vontade de tecer algumas considerações sobre a questão também.
Eu comprei o rimel Big Eyes da Eyeko em fevereiro de 2010 por US$ 8. Adorei a embalagem de bisnaguinha, o efeito, não ser testado em animais, e, especialmente, o custo-benefício. Em razão da divulgação da marca em blogs, a Eyeko se popularizou, de modo que os produtos aumentaram sensivelmente de preço e o rímel passou para US$ 14. Até aí normal, lei da oferta e da procura, o preço, ainda que quase dobrado, continuava justo em comparação à concorrência.
Mais recentemente, a Eyeko resolveu fazer um "reposicionamento da marca", a.k.a. estratégia de marketeiro para enganar consumidor otário. Não mudaram quase nada na fórmula dos produtos, pelo menos nada de relevante e trocaram os desenhos da embalagem. Simples assim. O rímel agora custa US$ 19. Menos para o Brasil, para cá custa US$ 45 (chequei agora e mudaram para US$ 38).
A desculpa da Eyeko para o tratamento anti-isonômico é a de que estariam incluídos os tributos brasileiros. Fucei o site, mas não há nenhuma informação a respeito disso. De fato, existem empresas que já recolhem o imposto para você, através de courier (ex.: Fedex). Ao simular uma compra, vi que eles se utilizam dos serviços da TNT, que realiza essas entregas expressas e faz o desembaraço aduaneiro. Como não há muita transparência por parte da Eyeko, resolvi calcular os tributos para ver se o preço batia. Eu não me incomodei muito com o aumento em razão de eventuais impostos embutidos, porque, embora ninguém goste de pagar imposto, eles são devidos, não dá para se escusar simplesmente. O que eu, de fato, não gostei, foi o reposicionamento da marca e do aumento de 8 para 19 dólares. Mas como eu vi que a maioria das pessoas impugnou especialmente a questão do preço diferenciado, preferi investigar.
Fiz uma consulta no site da Receita Federal para saber a carga tributária embutida num rímel. Não inclui o ICMS, imposto estadual, só os tributos federais. Para quem tem curiosidade, aqui no Rio a alíquota é de 26% para perfumes e cosméticos, a mesma de cigarros e armas, pasme.
Base de cálculo = US$ 19 + US$ 7,50 (frete) = US$ 26,50
Base de cálculo em reais, com câmbio de R$ 1,7453, de acordo com a Fazenda = R$46,25
Base de cálculo + tributos = R$ 76,54
Se em vez desse simulador você preferir o regime simplificado do Fisco, é só utilizar a alíquota de 60% - R$ 46,25 x 60% = R$ 74,00
Preço cobrado pela Eyeko, convertido com o câmbio da Fazenda (você não vai pagar com esse, mas com o usado pelo cartão de crédito) = R$ 79,41
Não bateu, apesar de os valores não se alterarem tanto assim. Mas não tem como bater, pois a base de cálculo dos tributos inclui o frete e a Eyeko já pré-fixa o valor dos produtos, independentemente do frete ser grátis ou não. Simulei a compra de 2 rímeis. O frete saiu grátis, mas o valor do rímel não diminuiu, o que teria que acontecer, já que o frete, necessariamente, está incluído na base de cálculo dos tributos. Fora que a base de cálculo tem que ser em real e o valor altera sempre, em virtude do câmbio. Os preços dos produtos da Eyeko são sempre fixos.
Eu não sei como ocorre o recolhimento dos tributos por parte das empresas de courier. Não há a menor transparência quanto a isso. Posso estar sendo injusta, mas não é estranho? Se alguém souber como funciona esse esquema, esclareça-me, por favor. Quem tem que explicar aos consumidores é a Eyeko e a empresa de courier, mas não achei nenhuma informação a respeito...
Além da falta de transparência quanto a questão do recolhimento dos tributos, a balela de reposicionamento da marca não me convence. O aumento de preços envolve uma questão meramente objetiva. Até bem pouco tempo atrás o rímel custava 8 dólares. Se não houve alteração substancial na fórmula do produto nem na embalagem, que continua sendo a mesma, só mudou o desenho impresso, não se agregou valor ao produto. Sendo assim, nada justifica o superfaturamento em mais de 100%, de 8 para 19 dólares.
A Eyeko, acredito eu, está ignorando suas atuais consumidoras para abarcar quem teoricamente tem maior poder aquisitivo, ou seja, mulheres mais velhas, que não gostam de mangá. Se você não liga pra isso e é consumidora fiel só porque os produtos são bons, azar o seu, vai pagar mais caro porque a Eyeko achou melhor.
O Big Eyes é meu rímel preferido, mas nenhum cosmético é insubstituível, por mais que o marketing das empresas tentem te convencer do contrário. A atitude da Eyeko é de falta de respeito para com as consumidoras, então não compro mais, não sou trouxa.
Se a marca quer mudar de público e em razão disso alterou o design para realizar o tal reposicionamento, acho que se equivocou, porque essa mudança de design, como já afirmei, não agregou valor aos produtos. Se a embalagens passasem a ser de metal, luxuosas, com papel reciclado ou de plástico biodegradável feito de milho e as fórmulas virassem hipoalergênicas, sem componentes sintéticos, parabenos, propilenoglicol etc, com altas pesquisas tecnológicas, se tudo fosse fabricado na Inglaterra em detrimento de Taiwan, onde não se sabe se há leis trabalhistas e ambientais, daria pra entender. E a origem das substâncias químicas que entram na composição do produto? São devidamente refinadas, puras, sem a contaminação de metais pesados e outros tóxicos? Não sei se em Taiwan existe algum órgão que regulamente a segurança dos cosméticos, como uma Anvisa, (que já não é lá essas coisas) duvido muito.
A meu ver foi feita apenas uma “maquiagem” nas embalagens pra justificar a vontade de lucrar em excesso. Malandragem que me fez tomar antipatia pela Eyeko. Big Eyes para mim, agora, só os de consumidora consciente.
P.S.: sobre preços de cosméticos recomendo os posts do Makeupalooza e Amorices.
P.S.2: vi no blog da Marcela que quando a mercadoria chega ao Brasil e é taxada, a empresa de courier entra em contato, diz o valor dos tributos e eles são pagos mediante apresentação da documentação da Receita Federal no momento da entrega do pacote. Ou seja, essa questão da Eyeko tá ainda mais estranha :/
P.S.3: a Instrução Normativa SRF nº 57/96, que trata do despacho aduaneiro por empresas de courier também não esclarece muita coisa, só que o transportador deve te dar um documento esclarecendo e comprovando os tributos recolhidos e que é utilizado o regime de tributação simplificada, ou seja, é aquele esquema de 60%, então o rímel da Eyeko teria que sair por R$ 74,00. Foi o que consegui pesquisar :(
Fiz uma consulta no site da Receita Federal para saber a carga tributária embutida num rímel. Não inclui o ICMS, imposto estadual, só os tributos federais. Para quem tem curiosidade, aqui no Rio a alíquota é de 26% para perfumes e cosméticos, a mesma de cigarros e armas, pasme.
Simulação do Tratamento Tributário e Administrativo das Importações | |||||||
| Código NCM | 3304.20.10 | ||||||
| Descrição NCM | SOMBRA,DELINEADOR,LÁPIS P/ SOBRANC.,E RÍMEL | ||||||
| Taxa de Câmbio do Dia 10/11/2011 | R$ 1,7453 | ||||||
| Valor Aduaneiro Convertido | R$46,25 | ||||||
| Alíquota II (%) | Tributo II | R$ 8,33 | |||||
| Alíquota IPI (%) | Tributo IPI | R$ 12,01 | |||||
| Alíquota PIS (%) | Tributo PIS | R$ 1,75 | |||||
| Alíquota COFINS (%) | Tributo COFINS | R$ 8,20 | |||||
Base de cálculo = US$ 19 + US$ 7,50 (frete) = US$ 26,50
Base de cálculo em reais, com câmbio de R$ 1,7453, de acordo com a Fazenda = R$46,25
Base de cálculo + tributos = R$ 76,54
Se em vez desse simulador você preferir o regime simplificado do Fisco, é só utilizar a alíquota de 60% - R$ 46,25 x 60% = R$ 74,00
Preço cobrado pela Eyeko, convertido com o câmbio da Fazenda (você não vai pagar com esse, mas com o usado pelo cartão de crédito) = R$ 79,41
Não bateu, apesar de os valores não se alterarem tanto assim. Mas não tem como bater, pois a base de cálculo dos tributos inclui o frete e a Eyeko já pré-fixa o valor dos produtos, independentemente do frete ser grátis ou não. Simulei a compra de 2 rímeis. O frete saiu grátis, mas o valor do rímel não diminuiu, o que teria que acontecer, já que o frete, necessariamente, está incluído na base de cálculo dos tributos. Fora que a base de cálculo tem que ser em real e o valor altera sempre, em virtude do câmbio. Os preços dos produtos da Eyeko são sempre fixos.
Eu não sei como ocorre o recolhimento dos tributos por parte das empresas de courier. Não há a menor transparência quanto a isso. Posso estar sendo injusta, mas não é estranho? Se alguém souber como funciona esse esquema, esclareça-me, por favor. Quem tem que explicar aos consumidores é a Eyeko e a empresa de courier, mas não achei nenhuma informação a respeito...
Além da falta de transparência quanto a questão do recolhimento dos tributos, a balela de reposicionamento da marca não me convence. O aumento de preços envolve uma questão meramente objetiva. Até bem pouco tempo atrás o rímel custava 8 dólares. Se não houve alteração substancial na fórmula do produto nem na embalagem, que continua sendo a mesma, só mudou o desenho impresso, não se agregou valor ao produto. Sendo assim, nada justifica o superfaturamento em mais de 100%, de 8 para 19 dólares.
A Eyeko, acredito eu, está ignorando suas atuais consumidoras para abarcar quem teoricamente tem maior poder aquisitivo, ou seja, mulheres mais velhas, que não gostam de mangá. Se você não liga pra isso e é consumidora fiel só porque os produtos são bons, azar o seu, vai pagar mais caro porque a Eyeko achou melhor.
O Big Eyes é meu rímel preferido, mas nenhum cosmético é insubstituível, por mais que o marketing das empresas tentem te convencer do contrário. A atitude da Eyeko é de falta de respeito para com as consumidoras, então não compro mais, não sou trouxa.
Se a marca quer mudar de público e em razão disso alterou o design para realizar o tal reposicionamento, acho que se equivocou, porque essa mudança de design, como já afirmei, não agregou valor aos produtos. Se a embalagens passasem a ser de metal, luxuosas, com papel reciclado ou de plástico biodegradável feito de milho e as fórmulas virassem hipoalergênicas, sem componentes sintéticos, parabenos, propilenoglicol etc, com altas pesquisas tecnológicas, se tudo fosse fabricado na Inglaterra em detrimento de Taiwan, onde não se sabe se há leis trabalhistas e ambientais, daria pra entender. E a origem das substâncias químicas que entram na composição do produto? São devidamente refinadas, puras, sem a contaminação de metais pesados e outros tóxicos? Não sei se em Taiwan existe algum órgão que regulamente a segurança dos cosméticos, como uma Anvisa, (que já não é lá essas coisas) duvido muito.
A meu ver foi feita apenas uma “maquiagem” nas embalagens pra justificar a vontade de lucrar em excesso. Malandragem que me fez tomar antipatia pela Eyeko. Big Eyes para mim, agora, só os de consumidora consciente.
P.S.: sobre preços de cosméticos recomendo os posts do Makeupalooza e Amorices.
P.S.2: vi no blog da Marcela que quando a mercadoria chega ao Brasil e é taxada, a empresa de courier entra em contato, diz o valor dos tributos e eles são pagos mediante apresentação da documentação da Receita Federal no momento da entrega do pacote. Ou seja, essa questão da Eyeko tá ainda mais estranha :/
P.S.3: a Instrução Normativa SRF nº 57/96, que trata do despacho aduaneiro por empresas de courier também não esclarece muita coisa, só que o transportador deve te dar um documento esclarecendo e comprovando os tributos recolhidos e que é utilizado o regime de tributação simplificada, ou seja, é aquele esquema de 60%, então o rímel da Eyeko teria que sair por R$ 74,00. Foi o que consegui pesquisar :(
Foto: Worldstart
domingo, 9 de outubro de 2011
A difícil missão de comprar de modo inteligente
John Leech, Cheap Clothing, Punch Magazine (1845)
Logo após a Revolução Industrial, surgiu na Inglaterra a revista satírica Punch, que, dentre outras críticas, informava à população sobre as péssimas condições de trabalho que ocorriam nas fábricas recém estabelecidas. O tempo passou, surgiu o Direito do trabalho, a OIT, tratados internacionais e... pouco mudou. Continua existindo muito trabalho escravo pelo mundo, só que, por algum motivo obscuro, esse tema passou a ser tabu, especialmente em se tratando de moda.
Até bem pouco tempo, quem é mais consciente simplesmente boicotava ou evitava comprar produtos chineses ou feitos em outro tigre asiático ou país underground, tendo em vista a notória ausência de leis trabalhistas e ambientais nesses lugares. Até que ocorreu o caso Zara, aqui mesmo, no Brasil.
A grande repercussão desse caso da Zara se deve, ao meu ver, que não basta boicotar produtos chineses, vietnamitas, etc. A realidade é que há trabalho escravo ocorrendo aqui mesmo no Brasil, na Europa e Estados Unidos, através da exploração de imigrantes ilegais. Como os imigrantes são ilegais, eles não podem fazer valer as leis trabalhistas que existem. Já pegaram sweatshops da Donna Karan em NY, em plena Manhattan.
Existe um documentário muito bom da Rai, emissora italiana, dizendo que o afamado Made in Italy, trabalho artesanal com couro, está acabando. Ferragamo, Gucci, Prada, Fendi etc produzem tudo na Itália, botam made in Italy, mas é tudo feito por chineses clandestinos. As máfias chinesa e italiana se associaram nessa empreitada.
Há também um livro de um jornalista italiano que investigou todo o esquema das máfias, que formam grandes organizações criminosas internacionais, envolvidas com diversos crimes como tráfico de drogas, evasão de divisas, lavagem de dinheiro, sonegação fiscal, etc. Parte de uma resenha: “Dou um único exemplo, para ilustrar a eficácia com que a organização criminosa estendeu redes que se espalham por todo o mundo. O livro de Saviano começa com uma descrição dos galpões do porto de Nápoles, onde a Máfia instala os chineses que traz ilegalmente para a Itália para trabalhar nas diferentes atividades realizadas em conjunto com o gigante asiático. Bom número desses imigrantes vem a Nápoles para aprender com os mestres nativos as técnicas da mais perfeita falsificação de calçados, vestidos, guarda-chuvas e demais artigos da moda italiana, técnicas que logo serão postas em prática nos teares de corte e confecção na China, onde são fabricados os produtos de marcas como Gucci, Armani e outras grandes casas de estilistas italianos, que logo serão vendidos em todo o mundo. As aulas são ministradas em locais pertencentes à organização criminosa, com tradutores simultâneos.”
No Huffington Post há também um artigo muito ilustrativo.
Não é problema de produto barato nem de origem. Essa é a grande questão. Uma bolsa da Prada tem preço de custo de 30 dólares (conforme o documentário) e é vendida por milhares deles. Quem compra acha que tá adquirindo luxo e, pelo preço, os costureiros estão sendo bem remunerados. Ou seja, houve uma mudança de paradigma. Havia uma presunção relativa de que os produtos provenientes de lugares underground seriam feitos por escravos, mas agora não há mais parâmetro, a sweatshop pode estar do lado da sua casa.
A partir do momento em que origem e preço não são suficientes para avaliar a ética da empresa, como fica o consumidor? Se não há diferença na origem do produto e preço para aferir se foi feito com ética, como saber onde posso comprar? Muito complicado.
Lógico que vai ter gente, de modo simplista, que vai afirmar: "ah, se é tudo feito por escravos mesmo, vou continuar comprando". Não os culpo, pois sei que não é fácil mudar de hábito. Entretanto, não devemos ser egoistas e continuar com o status quo por mero comodismo. Já se passaram mais de 200 anos desde a ocorrência da Revolução Industrial, porque não evoluimos? Basicamente, porque somos egoistas.
Como se portar então? Pensei bastante e o melhor caminho que encontrei pra mim foi o de comprar produtos feitos em países sem tradição de trabalho escravo, desde que não haja denúncia expressa. A Zara, por exemplo, foi denunciada, houve prova cabal. Então não compro mais. Continuo comprando o que for feito em tigre asiático somente aquilo que não houver opção viável. Infelizmente a tendência é que não haja mais opção, mas até lá prefiro evitar.
Sou super a favor do boicote, especialmente quando o caso vem à tona, para a empresa sentir o baque. Se ela entrar na linha, acredito que devemos voltar a comprar seus produtos, para lhe mostrar que é assim que gostamos que se faça, para que ela continue agindo corretamente, seja incentivada.
Sou super a favor do boicote, especialmente quando o caso vem à tona, para a empresa sentir o baque. Se ela entrar na linha, acredito que devemos voltar a comprar seus produtos, para lhe mostrar que é assim que gostamos que se faça, para que ela continue agindo corretamente, seja incentivada.
Os italianos tiveram a grande iniciativa de criar uma certificação para o verdadeiro Made in Italy, que privilegia os artesão locais, as técnicas de muitos anos, etc. A certificação, como ocorre com os orgânicos, é um ótimo caminho. Isso sim é produto de luxo, a meu ver.
Por falar em produto de luxo, há algum tempo li um post no blog Chata de Galocha em que a blogueira conta como foi conhecer a fábrica de cosméticos da Dior. Quando li o título, pensei: "nossa, que legal!". Depois, ao ler seu relato, mudei de opinião. Lá ela conta que todas as mercadorias que estão semi-perfeitas são jogadas fora, sem dó nem piedade. Em razão disso, perguntou aos funcionários o motivo e veio ter a resposta: "because we are Dior". Li os comentários ao post e percebi que quase todas as meninas estavam embasbacadas com tamanho luxo, completamente iludidas, fascinadas, deslumbradas. Fiquei preocupada. Acordem, meninas!
Sinceramente, eu duvido muito que eles joguem mercadoria semi-perfeita fora. A Dior pertence a um gigante conglomerado empresarial e a primeira coisa que um empresário pensa é no lucro. Jogar isso tudo fora é dar um tiro no pé. Ou eles reaproveitam ou vendem pro mercado B, aquele pessoal que compra wholesale e revende o Ebay. Mas pra manter aquela aura glamurosa vieram com esse papo de “because we are Dior”, especialmente porque sabiam que estavam mostrando a fábrica pra blogueiras que iriam fazer posts sobre isso. Só que esse tiro pode sair pela culatra, pois com o tempo o consumidor tá ficando consciente e cada vez menos as pessoas vão gostar de empresas que não visem a sustentabilidade. Luxo não tem nada a ver com desperdício. Bom, pelo menos é o que quero acreditar.
Vocês realmente acreditam que a Dior demitiu o Galliano porque é boazinha e quer promover direitos fundamentais? Que nada! Os diretores devem ter visto que iam perder dinheiro, possivelmente porque boa parte dos clientes é de judeus.
Não estou falando que é para deixar de comprar luxo ou que o luxo é do mal. Minha base preferida é a Diorskin Airflash, mas porque ela é excelente, não because it is Dior, simplesmente. Eu também comprei a palette Minaudière porque achei a coisa mais linda do mundo, mas tenho consciência que posso comprar sombras baratas de qualidade superior. Comprei pela embalagem mesmo, mas sem deslumbre, foi consciente. Lápis de olho, entretanto, não tem porque ser caro, conforme já expliquei aqui. Não me deixo levar pela onda, o que não me impede de apreciar algo simplesmente pela estética, de modo controlado, com exame de razoabilidade. Acredito que a diferença está aí, mas sei que não é fácil, entendo perfeitamente, mas acho que todos poderiam tentar se esforçar um pouquinho.
Também acredito que a solução não está numa revolução no comportamento. A evolução ocorre aos poucos. Se você foi na papelaria e optou por um caderninho nacional em vez de um chinês, já fez a diferença, acredite.
Não estou falando que é para deixar de comprar luxo ou que o luxo é do mal. Minha base preferida é a Diorskin Airflash, mas porque ela é excelente, não because it is Dior, simplesmente. Eu também comprei a palette Minaudière porque achei a coisa mais linda do mundo, mas tenho consciência que posso comprar sombras baratas de qualidade superior. Comprei pela embalagem mesmo, mas sem deslumbre, foi consciente. Lápis de olho, entretanto, não tem porque ser caro, conforme já expliquei aqui. Não me deixo levar pela onda, o que não me impede de apreciar algo simplesmente pela estética, de modo controlado, com exame de razoabilidade. Acredito que a diferença está aí, mas sei que não é fácil, entendo perfeitamente, mas acho que todos poderiam tentar se esforçar um pouquinho.
Também acredito que a solução não está numa revolução no comportamento. A evolução ocorre aos poucos. Se você foi na papelaria e optou por um caderninho nacional em vez de um chinês, já fez a diferença, acredite.
Conclusão do post: comprar é divertido e nós gostamos, porém devemos fazer de forma consciente, inteligente. Somos pessoas ou gado? Somente como autônomos podemos evoluir e sair da época da Revolução Industrial, ou até mesmo da Idade da Pedra.
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